Já não é a primeira vez que me escrevem, a questionar sobre eventuais alternativas ao leite de vaca.
Uma das últimas mensagens era de uma mamã, com dois filhotes, que acompanha o blog há pouco tempo e por isso questionava se eu era ou não “adepta” do leite de vaca.
Cá em casa somos sobretudo adeptos de uma alimentação mais consciente – respondi. Tal, não significa porém, que sigo uma qualquer dieta muito fashion ou que eliminei certos alimentos só porque está na moda e, que deles fujo, como o diabo foge da cruz.
Um desses alimentos é sem dúvida o leite de vaca. Hoje em dia falar sobre este alimento é comprar uma guerra e esperar a carta com a data para o linchamento público.
A OMS recomenda que até aos dois anos ou mais, o bebé seja amamentado. Na impossibilidade de tal acontecer, as fórmula infantis são o caminho a seguir. Preferencialmente devem ser mantidas também até aos dois anos ou, pelo menos até aos 12 meses de idade. Altura em que poderá substituir a fórmula por leite de vaca gordo. Este não contém açúcar adicionado como muitas das fórmulas mas, por outro lado não é fortificado, logo não é tão rico em micronutrientes.
Nas crianças vegetarianas, no que diz respeito ao leite e seus substitutos, as directrizes preconizadas são exactamente as mesmas que para as crianças omnívoras. 1,2
É frequente as famílias vegetarianas estritas ou vegans, na ausência de leite materno, optarem por fórmulas infantis com proteína de soja (Visoy ®) pelo que é importante acrescentar que este substituto do leite está previsto e pode ser utilizado em lactentes saudáveis.3-4
As outras alternativas vegetais são vulgarmente conhecidas como “leite de…” soja, arroz, amêndoa, aveia e afins. Tal denominação não só é errada como falaciosa. O mais correcto é mesmo denominá-las de bebidas vegetais, já que, a sua composição é significativamente diferente da do leite, que tecnicamente é um alimento resultante da secreção da glândula mamária das fêmeas dos mamíferos.
Tais bebidas vegetais, fortificadas ou não, são alternativas inapropriadas ao leite materno, fórmula infantil ou ao leite de vaca gordo nos primeiros 2 anos de vida.5
É ainda importante referir que, a título de exemplo, quando falamos de bebida de soja, esta de soja tem muito pouco. As versões normais possuem entre 5% a 13% de grãos de soja e a versão light de cada marca ainda menos. 6
O mesmo se passa nas restantes bebidas com outras fontes vegetais: são versões muito diluídas da bebida em si, a um preço que chega a ser quatro vezes superior a um pacote de leite de vaca.
Um exercício que sugiro que façam numa próxima visita ao supermercado é olhar atentamente para os rótulos de muitas destas bebidas. Pois é: água e açúcar (maltodextrinas) nos dois lugares cimeiros. Parece-lhe que água com açúcar é um bom substituto do leite de vaca?
Então e se fizermos as bebidas vegetais em casa, sem qualquer adição de açúcar? Não existe qualquer problema. Dei algumas vezes “leite de arroz” e “leite de coco” (a minha bebida vegetal preferida), à Francisca. Principalmente porque, a partir de dada altura, não conseguia extrair, leite materno, com a bomba, para adicionar às papinhas.
No entanto, tinha sempre a consciência que, neste caso o “leite” de coco (fruto), quanto muito substituía a fruta daquela refeição e não o leite, visto estarem longe de serem alimentos equivalentes. Se for este o caso, é importante ter o cuidado de que o aporte diário de leite se mantém invariável.
Ainda, e face a esta tendência crescente de substituir o leite por bebidas vegetais, sendo um tema recorrente em fóruns e grupos de facebook, cabe-me dizer o seguinte:

  • Estudos reportam a existência de carências, sobretudo de cálcio e vitamina D em crianças cujo leite (materno ou fórmula) foi preterido em função do consumo destas bebidas, com consequências muito graves para a criança. 7, 8
  • As preparações com soja, apresentam elevada concentração de alumínio, fitatos e fitoestrogénios, que são substâncias com comprovadas acções hormonais e não hormonais, desconhecendo-se os efeitos a longo prazo, desta exposição precoce. Não devendo por isso ser introduzidas antes dos dois anos de idade. (excepto a fórmula acima mencionada: Visoy ®) 8-10
  • A proteína da soja para além de ter menor digestibilidade que a do leite de vaca, não é tão equilibrada no que diz respeito ao seu teor em aminoácidos. 11
  • A soja é, assim como o leite de vaca, um alimento potencialmente alergénico.
  • As bebidas de aveia, amêndoa ou arroz têm muito baixo teor proteico e elevado teor de hidratos de carbono totais e açúcares.
  • Apesar do cálcio adicionado, a estas bebidas, a sua biodisponibilidade (aquilo que o bebé consegue absorver), pode ser afectada pelos antinutrientos presentes na bebida (ex: fitatos). 11
  • Normalmente, o leite de vaca e soja são os gatilhos mais comuns para uma reacção FPIES (FoodProtein Induced Enterocolitis Syndrome). Esta é uma condição clínica, que afecta lactentes e crianças jovens e se traduz numa inflamação intensa e imediata do intestino (enterocolite), causada pelo nosso sistema imunológico, em reacção a determinada proteína alimentar. Contudo, todos os alimentos podem induzir esta reacção, mesmo aqueles que não são normalmente consideradas como alergénicos, como arroz e aveia e respectivas bebidas. 12,13
  • A amêndoa e restantes frutos oleaginosos, por serem alimentos que podem causar alergias nas crianças mais sensíveis, só devem ser oferecidos à criança depois dos 18-24 meses. O mesmo se aplica às bebidas que a contêm. 14

Se após tais considerações for a sua vontade, eliminar o leite de vaca da dieta do seu filho, saiba que:

  • Só é recomendado que o faça a partir dos 2 anos de idade.
  • O leite de vaca fornece ao seu filho proteínas de elevado valor biológico, cálcio, fósforo e zinco, com elevada biodisponibilidade, com uma excelente relação qualidade/preço.
  • O leite de vaca integra as recomendações alimentares e nutricionais ao longo do ciclo de vida, baseadas na evidência científica.
  • Mesmo no caso de situações patológicas, como por exemplo, crianças com APLV (alergia à proteína do leite de vaca), deverão optar, até aos dois anos de idade, por fórmula infantil, com proteínas extensamente hidrolisadas.
  • Os casos de intolerância à lactose são raríssimos em crianças com idade inferior a dois ou três anos. 15 (Ler artigo: O meu bebé é mesmo intolerante à lactose)
  • O leite de vaca têm prós mas também contras, assim como as bebidas vegetais.
  • Leite de vaca e bebidas vegetais são alimentos diferentes, não quer dizer que estas sejam melhores.
  • É possível ir buscar cálcio a outros alimentos que não os lactícinios mas é muito mais difícil. Sendo esta a sua opção, deverá saber que não existe um único alimento que substitua o leite (excepto os seus derivados, tais como iogurte e queijo) mas sim o somatório de vários outros alimentos, que quando combinados poderão assim suprir os mesmos nutrientes que o leite.
  • O leite, principalmente após a idade pediátrica, não é um alimento essencial mas está muito, muito longe de ser o veneno que o pintam e não podemos ainda ignorar a forte ligação deste alimento com a nossa cultura e raízes.

Como em tudo na vida é importante respeitarmos as liberdades individuais. Porém, é também urgente uma posição mais crítica face ao enorme fenómeno de partilha desenfreada de conteúdos sobre nutrição e alimentação, muitas vezes com qualidade duvidosa ou perniciosa. Sobretudo quando tal pode afectar directamente a saúde dos nossos filhos!

 

  1. American Dietetic Association. Position of The American Dietetic Association: Vegetarian Diets. J Am Diet Assoc 1997; 97: 1317-21. 200.
  2. Messina V, Mangels AR. Considerations in planning vegan diets: children. J Am Diet Assoc 2001; 101: 661-9.
  3. ESPGHAN Committee on Nutrition, Agostoni C, Axelsson I, Goulet O, Koletzko B, Michaelsen KF, Puntis J, et al. Soy Protein infant formulae and follow-on formulae: commentary by the ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr 2006; 42: 352-61. 185.
  4. Koletzko B, Baker S, Cleghorn G, Neto UF, Gopolan S, Hernell O, et al. Global Standard for the Composition of Infant Formula: Recommendations of an ESPGHAN Coordinated International Expert Group. J Pediatr Gastroenterol Nutr 2005; 41: 584-99.
  5. American Dietetic Association; Dietitians of Canada. Position of the American Dietetic Association and Dietitians of Canada: Vegetarian diets. J Am Diet Assoc 2003; 103: 748-65.
  6. Alpro Bebida de Soja Crescimento (ver ingredientes)
  7. Severe nutritional deficiencies in toddlers resulting from health food milk alternatives
  8. Nutritional deficits resulting from an almond-based diet
  9. Setchell K. Exposure of Infants to phytoestrogens from soy infant formulas. Lancet 1997; 350: 23-77. 189.
  10. Setchell, K. Phytoestrogens: the biochemistry, physiology and implications for human health of soy isoflavonas. Am J Clin Nutr 1998;68: Suppl 6:1333S-46S. 190.
  11. Irvine C. The potential adverse effects of soybean phytoestrogens in infant feeding. NZ Medicine Journal 1995; 108: 208-9.8 – https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3667091/
  12. Alimentacao e Nutricao do Lactente – Acta Pediátrica
  13. Food protein induced enterocolitis syndrome caused by rice beverage
  14. Comer com saber no primeiro ano de vida: Direcção-Geral da Saúde
  15.  Lactose Intolerance in Infants, Children, and Adolescents

48 Comments

  • Joana Silva diz:

    Sandra,

    Sigo sempre o seu blog e o FB. Gosto da forma pouco fundamentalista que apresenta nas suas informações e opiniões.
    Gosto muito deste artigo. Parabéns! Creio que conseguiu abordar a questão com clareza e assertividade para ficar esclarecida.
    Muito obrigada.
    Um beijinho

  • Sandra Santos diz:

    Olá Joana! Muito obrigada pela sua opinião. Fico muito feliz que tenha gostado do artigo. Beijinhos

  • Susana diz:

    Olá Sandra. Costumo seguir o seu blog pois também tenho uma pequenina de 21 meses e tento dar-lhe uma alimentação saudável. Pela 1ª vez estou a comentar, mas muito obrigada por este seu artigo… ultimamente cada vez que se fala em leite de vaca parece que este é o demónio… até que enfim alguém que não vai em “modas”! Beijinhos

  • diz:

    Boa tarde Sandra,
    quando dá leite de vaca à Francisca, mistura com quê???
    Dá só leite no biberão??

  • Paula Valente diz:

    Adorei este artigo, está tudo muito bem esclarecido à luz da ciência, deveria ser ainda mais divulgado. Parabéns amiga!

  • Zita Soares diz:

    Sandra, é a primeira vez que leio algo que redigiu e, mesmo sendo um texto equilibrado e aparentemente bem fundamentado (não sou ninguém para verificar as referências bibliográficas que indica), não deixo de pensar no inferno que é a realidade da indústria do leite. Para as vacas, para os bezerros, para o ambiente, enfim… é de uma brutalidade incrível e incomensurável para com a espécie (neste caso, os bovinos) e, acredito no fundo, para a própria maternidade. Não quero comprar guerras, mas precisava deste desabafo após a leitura. Obrigada.

  • Silvia diz:

    Olá, penso que falta muita informação sem “negócio”. É difícil saber quando nos estão a dar informação sem ser com os lobis das grandes empresas.
    A minha filha não bebe leite de vaca, tem 28meses. Desde q deixou o leite esteve mto menos vezes doente. Passava a vida c problemas de nariz e agora nada!!!! Já não produz tanto muco. Eu tb deixei e a verdade é que me sinto melhor a esse nível e a nível intestinal tb.
    Continuanos a consumir iogurtes, queijo e natas.
    Parabéns pelo blog. Beijinhos

  • Raquel diz:

    Esqueceu-se de uma graaaaande vantagem das bebidas vegetais: estão isentas de crueldade, não estão associadas a uma indústria verdadeiramente atroz que vinga com as repetidas violações de vacas cujos bebés lhes são roubados assim que nascem para que nós possamos beber o leite que naturalmente seria deles, até o corpo delas não aguentar mais a tortura e serem enviadas então para a matança. Esqueceu-se de uma desvantagem do leite de vaca: é acidificante, está mais que provado que países onde o consumo de lacticínios é maior têm uma taxa bem maior de pessoas com OSTEOPOROSE. Este artigo é, no mínimo, tendencioso!

  • Ana diz:

    1. Líquido segregado pelas tetas das fêmeas dos mamíferos (ex.: leite de cabra, leite de vaca).Ver imagem
    2. [Botânica] Suco lácteo de certas plantas.
    3. Líquido esbranquiçado ou semelhante ao leite (ex.: leite de soja).

    “leite”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/leite [consultado em 13-04-2017].

  • monica diz:

    lei·te
    (latim lac, lactis, leite)
    substantivo masculino

    1. Líquido segregado pelas tetas das fêmeas dos mamíferos (ex.: leite de cabra, leite de vaca).Ver imagem

    2. [Botânica] Suco lácteo de certas plantas.

    3. Líquido esbranquiçado ou semelhante ao leite (ex.: leite de soja).

    “leite”, in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://www.priberam.pt/dlpo/leite [consultado em 13-04-2017].

  • Ana diz:

    Também se encontra no mercado leite vegetal de qualidade sem açúcar adicionado ,bio, eu encontro por 1 € e por 1,29€, mas agora comecei a fazer em casa, é muito fácil, barato e muito bom, o leite de vaca deixamos para os bezerros que tanto precisam do leite da sua mãe, isso é que é natural, assim a nossa princesa tem crescido saudável e feliz.

  • Susana diz:

    Posso sugerir um correcção? A denominação “leite de ” não é nem errada nem falaciosa. Para além de ser a secreção das glândulas mamárias de uma fêmea mamífera após uma gravidez é também a secreção de plantas ou qualquer líquido com aspecto leitoso. Está mesmo no dicionário. Por exemplo, leite de côco sempre se bebeu com esse nome, leite de aveia nos cosméticos, leite magnésia como laxante, etc.

  • Catia Buccimazza diz:

    Bom dia os meus parabens pelo artigo… alguem que toca um pouco na realidade das bebidas vegetais…

  • Sandra Santos diz:

    Olá Susana! Claro que pode sugerir a correcção. No entanto, de acordo com a legislação portuguesa não posso aceitar a sua sugestão, uma vez que as diferentes designações lácteas encontram-se devidamente regulamentadas, quer por legislação comunitária (Reg. (CE) n.º 1898/87, do Conselho, relativo à protecção da denominação do leite e dos produtos lácteos aquando da sua comercialização, revogado pelo Reg. (CE) n.º 1234/2007, do Conselho, de 22 de Outubro – OCM Única, aplicável a partir de 1 de Julho de 2008), quer por legislação nacional (Portaria n.º 742/92, de 24 de Julho) no caso do iogurte e dos leites fermentados. A estas peças legislativas podemos acrescentar as de origem normativa, de carácter voluntário, com especial destaque para as elaboradas pelo Codex Alimentarius, a norma geral de termos lácteos e uma série de normas de produtos lácteos, que pela sua natureza se revestem de especial interesse no contexto do comércio internacional, no seio dos acordos da Organização Mundial do Comércio, por definirem as especificações que os produtos devem respeitar em caso de litígio comercial. O objectivo principal destes documentos e das definições aí incluídas é a correcta utilização dos nomes e termos comummente reconhecidos e destinados ao leite e aos produtos lácteos, de forma a proteger o consumidor de práticas de rotulagem e publicidade enganosas e assegurar práticas comerciais justas. As designações estabelecidas legalmente para os produtos lácteos, não podem ser utilizadas para qualquer produto que não o seja, estando as excepções devidamente consagradas, como é o caso de nomes tradicionais e que pela prática de tempo decorrido se aceitam, desde que a verdadeira natureza do produto seja clara para o consumidor ou quando o nome é utilizado para descrever uma qualidade específica do produto. As excepções para Portugal são: Leite de coco, Manteiga de cacau, Manteiga de amendoim, Queijo doce de Tomar, Queijinho de sal. Beijinhos
    Fonte: (http://www.infoqualidade.net/SEQUALI/PDF-SEQUALI-04/n4-sequali-26.pdf)

  • Sandra Santos diz:

    Olá Mónica! Infelizmente ou não (em prol de uma maior qualidade do serviço prestado), enquanto profissional de saúde as minhas referências bibliográficas não são o priberam. 🙂
    As diferentes designações lácteas encontram-se devidamente regulamentadas, quer por legislação comunitária (Reg. (CE) n.º 1898/87, do Conselho, relativo à protecção da denominação do leite e dos produtos lácteos aquando da sua comercialização, revogado pelo Reg. (CE) n.º 1234/2007, do Conselho, de 22 de Outubro – OCM Única, aplicável a partir de 1 de Julho de 2008), quer por legislação nacional (Portaria n.º 742/92, de 24 de Julho) no caso do iogurte e dos leites fermentados. A estas peças legislativas podemos acrescentar as de origem normativa, de carácter voluntário, com especial destaque para as elaboradas pelo Codex Alimentarius, a norma geral de termos lácteos e uma série de normas de produtos lácteos, que pela sua natureza se revestem de especial interesse no contexto do comércio internacional, no seio dos acordos da Organização Mundial do Comércio, por definirem as especificações que os produtos devem respeitar em caso de litígio comercial. O objectivo principal destes documentos e das definições aí incluídas é a correcta utilização dos nomes e termos comummente reconhecidos e destinados ao leite e aos produtos lácteos, de forma a proteger o consumidor de práticas de rotulagem e publicidade enganosas e assegurar práticas comerciais justas. As designações estabelecidas legalmente para os produtos lácteos, não podem ser utilizadas para qualquer produto que não o seja, estando as excepções devidamente consagradas, como é o caso de nomes tradicionais e que pela prática de tempo decorrido se aceitam, desde que a verdadeira natureza do produto seja clara para o consumidor ou quando o nome é utilizado para descrever uma qualidade específica do produto. As excepções para Portugal são: Leite de coco, Manteiga de cacau, Manteiga de amendoim, Queijo doce de Tomar, Queijinho de sal. Beijinhos

  • Sandra Santos diz:

    Olá Ana! Infelizmente ou não (em prol de uma maior qualidade do serviço prestado), enquanto profissional de saúde as minhas referências bibliográficas não são o priberam. 🙂
    As diferentes designações lácteas encontram-se devidamente regulamentadas, quer por legislação comunitária (Reg. (CE) n.º 1898/87, do Conselho, relativo à protecção da denominação do leite e dos produtos lácteos aquando da sua comercialização, revogado pelo Reg. (CE) n.º 1234/2007, do Conselho, de 22 de Outubro – OCM Única, aplicável a partir de 1 de Julho de 2008), quer por legislação nacional (Portaria n.º 742/92, de 24 de Julho) no caso do iogurte e dos leites fermentados. A estas peças legislativas podemos acrescentar as de origem normativa, de carácter voluntário, com especial destaque para as elaboradas pelo Codex Alimentarius, a norma geral de termos lácteos e uma série de normas de produtos lácteos, que pela sua natureza se revestem de especial interesse no contexto do comércio internacional, no seio dos acordos da Organização Mundial do Comércio, por definirem as especificações que os produtos devem respeitar em caso de litígio comercial. O objectivo principal destes documentos e das definições aí incluídas é a correcta utilização dos nomes e termos comummente reconhecidos e destinados ao leite e aos produtos lácteos, de forma a proteger o consumidor de práticas de rotulagem e publicidade enganosas e assegurar práticas comerciais justas. As designações estabelecidas legalmente para os produtos lácteos, não podem ser utilizadas para qualquer produto que não o seja, estando as excepções devidamente consagradas, como é o caso de nomes tradicionais e que pela prática de tempo decorrido se aceitam, desde que a verdadeira natureza do produto seja clara para o consumidor ou quando o nome é utilizado para descrever uma qualidade específica do produto. As excepções para Portugal são: Leite de coco, Manteiga de cacau, Manteiga de amendoim, Queijo doce de Tomar, Queijinho de sal. Beijinhos

  • Sandra Santos diz:

    Obrigada Paulinha! Um beijinho de nutricionista para nutricionista! 🙂

  • Sandra Santos diz:

    Olá Susana! Muito obrigada pela sua opinião. Em boa verdade, o leite de vaca não é um néctar dos deuses insubstituível mas está longe de ser um veneno. Como tudo, bebidas vegetais inclusive, tem prós e contras! Beijinhos e muitas felicidades para si e para a sua pequenina (praticamente da idade da Francisca) 😉

  • Sandra Santos diz:

    Olá Bé! Eu dou leite simples, sem qualquer aditivo. Julgo ser a melhor opção. Primeiro porque educa o paladar do bebé para o sabor “real” do alimento e segundo porque do ponto de vista nutricional me parece a escolha mais indicada. Tanto pode dar no biberão, como num copinho (dependendo da idade do bebé/criança). beijinhos, Sandra

  • Sandra Santos diz:

    Olá Sílvia! Como não trabalho para nenhuma empresa ou marca, tenho total liberdade para fundamentar os meus artigos somente em informação científica 🙂
    Os sinais e sintomas de APLV (Alergia às Proteínas do Leite de Vaca), podem envolver diferentes sistemas, nomeadamente o sistema respiratório. Contudo, de modo a evitar situações de sobre ou subdiagnóstico, é extremamente importante que se faça um diagnóstico correcto, baseado em provas de provocação oral. Em todo o caso, a sua filhota, acaba por consumir alimentos feitos a partir do leite de vaca, tais como iogurte e queijo, logo as proteínas, que eventualmente pudessem causar tal sintomatologia estão igualmente presentes. Mas é como lhe digo, para sabermos se existe alguma relação desse muco com o consumo de leite, só através de uma prática clínica e exames adequados. Contudo, o mais importante é que ambas se sentem bem e em boa verdade, sobretudo o iogurte, na minha opinião até é um alimento mais interessante que o leite, com efeito pré e probiótico e manifestas vantagens ao nível intestinal e não só. beijinhos

  • Cláudia diz:

    Obrigada pela publicação. Esclarecimento simples, organizado, fundamentado e sem ter uma natureza de imposição de verdade absoluta. Ajudaste-me a esclarecer algumas dúvidas sobre a bebida de soja.

  • Sandra Santos diz:

    Obrigada Cátia! Beijinhos

  • Sandra Santos diz:

    Olá Cláudia! Obrigada pelo seu simpático comentário. beijinhos

  • E os contras do leite de vaca?

  • Sandra Santos diz:

    Olá Zita! Se por razões éticas, morais, religiosas, ambientais entre outras não quer dar leite de vaca ao seu bebé, sugiro, tal como menciono no artigo, a fórmula à base de proteína de soja: Visoy. Este alternativa ao leite materno e às fórmulas convencionais está prevista e pode ser usada em lactentes saudáveis, ao contrário das bebidas vegetais que não são uma alternativa segura, para bebés e crianças. beijinhos

  • Sandra Santos diz:

    Boa tarde Margarida! Este artigo é sobre as bebidas vegetais. Eventualmente, no futuro irei ponderar escrever sobre o alimento que referiu. Beijinhos

  • Sandra Santos diz:

    Boa tarde Ana! Claro que sim, com o aumento da oferta, surgem bebidas vegetais a um preço mais acessível e sem açúcar adicionado. Ainda assim, na minha opinião o preço é exagerado, tendo em conta que é uma bebida extremamente diluída (mais de 85% a 90% de água). beijinhos

  • Márcia Aguiar diz:

    Olá . Tenho um bebé com 5 meses e meio reais (4 meses e meio corrigidos) e quero potenciar desde cedo um estilo de vida saudável, principalmente, em termos alimentares. Qual a sua opinião sobre a alimentação Paleo no sentido da rejeição de glúten e lactose? Pensa tratar-se de uma moda ou os benefícios são reais? Obrigada. Beijinhos e continuação de bom trabalho.

  • Inês diz:

    Olá Raquel. Toda a actividade humana está carregada de crueldade e esta não se verifica apenas no modo de tratar o gado. Se pensar bem, como é que acha que são produzidos os produtos que dão origem às bebidas vegetais, nomeadamente a soja (maioritariamente transgênica)? Acha que nestas produções em massa o habitat é protegido? Quantas espécies de animais selvagens não serão sacrificadas para produzir estes produtos? Ou se lhe ocorre a crueldade animal quando se trata de animais ditos domésticos? Se pensar assim, é melhor não comer nem beber nada…

  • Sandra Santos diz:

    Olá Márcia! Há alguns aspectos da dieta Paleo que são bastante interessantes, sobretudo no que diz respeito à eliminação de produtos processados e açúcar refinado da dieta, bem como a introdução de determinados alimentos que são muito ricos do ponto de vista nutricional e que temos pouco hábito de consumir, tais como o abacate, frutas oleaginosas e sementes. Contudo, no que diz respeito à lactose, essa restrição em bebés não faz qualquer sentido, pelas razões que exponho no seguinte artigo: https://papinhasdaxica.pt/2016/08/o-meu-bebe-e-mesmo-intolerante-a-lactose/
    Em relação ao glúten, existem muitos estudos mas infelizmente há muitas perguntas que permanecem sem resposta. Deixo-lhe uma revisão científica a respeito: http://www.espghan.org/fileadmin/user_upload/guidelines_pdf/Hep_Nutr/Gluten_Introduction_and_the_Risk_of_Coeliac.32.pdf
    Beijinhos, Sandra

  • Sandra Alves diz:

    Boa noite Sandra, tenho um bebé com 1 anito e fazia muitas bronqueolites 🙁 entretanto fez análises e deu que era alérgico ao leite e derivados, a soja, ao amendoim, bacalhau, trigo, clara de ovo. Que leite recomenda??? O de aveia?
    Obrigada

  • Sandra Santos diz:

    Olá Sandra! Nesse caso o ideal será discutir com o profissional de saúde que segue o bebé. beijinhos

  • Marta Costa diz:

    Olá Sandra, fiquei com uma duida, enquanto amamentamos não existe qualquer necessidade de oferecer leite de vaca aos nossos bebés certo? Ao lanche vou variando entre iogurte natural e fruta e papas que faço com o meu leite. Tem receitas de papas para adicionar leite materno? Quetia fugir das de pacote mas não queria retirar o leite materno desta refeição por enquanto! Obrigado

  • Sandra Santos diz:

    Olá Marta! Enquanto der leite materno não precisa de dar mais nenhum leite ao bebé! Para fazer as papinhas com leite materno, uma vez que este não suporta temperaturas superiores a 37ºC, o ideal é diminuir a quantidade de água da receita original, fazendo uma papinha mais grossa e, posteriormente, já fora do lume, ajustar a consistência adicionando leite materno. Beijinhos

  • Bastos Cátia diz:

    Boa tarde Sandra, sou seguidora assídua tanto do blog como no Facebook. Em casa para o meu baby faço leite de aveia caseiro para partilharmos ao pequeno almoço ou ao lanche. Ele ainda mama mas não consigo retirar muito leite com a bomba. Estarei a fazer mal ao oferecer o leite de aveia caseiro? O baby tem 14 nessa

  • Filipa Canelhas diz:

    Olá Sandra 🙂 o Bruno chamou-me hoje a atenção para este post que ainda não tinha visto…nós costumamos dar á Leonor leite de vaca e também leite vegetal, faço mal? os que dou são de amêndoa ou aveia (marca shoyce),no pouco que percebo (ou achava que percebia) pensei que estava a fazer bem :/
    Ás vezes também lhe damos da mimosa uns pacotinhos com sabor a cereais (pareceu ter pouco acucar)
    Faço mal?
    Obrigada, um beijinho

  • Thaily diz:

    Cerca de 80% das terras cultivadas são para plantação de soja. E cerca de 90% dessa soja vai para alimentar o gado. Se informe um pouco mais , antes de vir com esse comentário “preguiçoso”. Não é só porquê não podemos fazer tudo, que temos que ficar sem fazer nada. O leite da vaca é para os bezerros.

  • Sandra Santos diz:

    Olá! Não há qualquer problema, desde que lhe continue a oferecer a maminha com frequência. Beijinhos, Sandra

  • Sandra Santos diz:

    Olá Filipa! Não faz mal dar bebidas vegetais. O importante é ter a consciência que estas por si só não são uma alternativa ao leite, especialmente nos primeiros 2 a 3 anos de vida da criança. Beijinhos, Sandra

  • Joana Bras diz:

    Olá Sandra,
    Obrigada pelo artigo.
    O meu filho tem 2 anos e não consigo dar-lhe leite de vaca sem ser mascarado. Leite gordo nem por sombras. Não gosta e não gosta e não gosta. Consigo dar-lhe em batidos de frutas ou com uma papa de fruta e cereais. Para já ainda complemento com a fórmula em pó que ele bebe desde os 3 meses, mais ou menos quando passou a rejeitar a mama.
    Também não come manteiga nem queijo. Só gosta de iogurtes. Há problema em dar-lhe o leite meio gordo?
    Além disso a fórmula em pó só vai ser uma opção até ele como,estar os três anos. Depois disso não sei bem como fazer. Custa-me principalmente no inverno dar-lhe iogurte frio logo ao pequeno almoço.
    Obrigada

    Joana Brás

  • Silvia diz:

    Olá,

    Vou introduzir o leite de pacote ao meu filho de 21 meses. Até aqui tem sido só mama. Estou a ponderar entre o Leite de vaca gordo BIO UTH ou o equivalente mas de Cabra. Qual será o mais indicado?

  • Sandra Santos diz:

    Olá Sílvia! Pode dar qualquer um deles, se encontrar pasteurizado em vez de UHT tanto melhor. Beijinhos, Sandra

  • Sandra Santos diz:

    Olá Joana,
    O iogurte é equivalente ao leite e até é acho mais interessante do ponto de vista nutricional. Por ser um alimento fermentado, tem um efeito probiótico que melhora a flora intestinal. Se o seu filho gosta… Não vejo razão para fazer disso um problema. Beijinhos

  • Rosana diz:

    Oi Sandra, tudo bem?! Acabei de encontrar sua página as 1:22 da madrugada, buscando saber o que usar pra fazer um bom mingau pra da meu filho de 6 meses q mama, mas assim como vc, eu n consigo tirar leite o suficiente sempre pra guardar e fazer um mingau pra ele a noite. Ele tem acordado muito pra mamar e eu estou como um zumbi, usei araruta com um leite caseiro de amêndoas que faço e uma colher de creme de coco, mas ele tem rejeitado, eu estava dando as 12 da noite na mamadeira, pq sei q a sucção e mais fácil e assim ele tomaria mais do q na minha mama, e dormiria mais tempo, no meu seio ele mama, logo se cansa e dorme, dai a cada duas horas sente fome e volta a acordar. Queria saber de vc o que indica pra eu fazer e dá na mamadeira a noite. Já q li sobre as amêndoas n serem boas, queria experimentar um mingau de amido de milho orgânico , banana e canela, mas agora n sei que líquido usar, já q o de vaca e sabendo agora que o de amêndoas n e muito legal antes dos dois anos. Pode me ajudar? Desde já grata estou.

  • Sandra Santos diz:

    Olá Rosana! Nós não recomendamos dar nada para além de leite (materno ou fórmula) ou água na mamadeira. Todo o mingau deve ser dado à colher. Eu compreendo o desespero porque a minha filha também era assim mas infelizmente há muito pouco a fazer, a não ser ter paciência porque com o tempo vai melhorar. Beijinhos, Sandra

  • Irani diz:

    Olá Sandra, boa noite! Soube a pouco do seu blog e já estou adorando, uma colega de trabalho Nutricionista que me passou pois tenho uma bebé de 9 meses e que tem APLV, bom, gostei muito deste artigo, mas no momento estou com uma dúvida que por enquanto ninguém soube me ajudar, nessa altura é introduzido o iogurte na alimentação do bebé, como a minha é alérgica, acha que seria incorreto dar as opções vegetais de soja? Digo pq não ouço falar muito bem de dar soja a bebés e agora c esse artigo, fiquei mais na dúvida ainda… Estou sem opção de lanchinhos, só frutas mesmo muito obrigada e parabéns pelo belo trabalho

  • Sandra Santos diz:

    Boa tarde Irani,
    Do que tenho lido, a soja, desde que consumida com moderação, não tem contra-indicação. Por isso, pode introduzir os iogurtes à base de soja, desde que não açucarados. No mercado existem ainda iogurtes com leite de coco. É uma questão de procurar. Beijinhos

Deixe um comentário