Antes de sermos mães, há todo um imaginário sobre o “tipo” de mãe que seremos. Eu sempre projetei a minha imagem a viajar com os meus filhos (continua a ser só uma, não se assustem!). Iria querer mostrar-lhes o mundo, viver experiências e aventuras. Sempre achei que era a pessoa certa para dar asas ao verbo “ir”, demasiado descontraída e desenrasca – rotinas, horários e regras não são comigo, e então se me esqueço das fraldas, do lanche ou do livro de pintar raramente stresso: improviso.

Mas viajar sozinha com uma criança é ligeiramente diferente do que viajar acompanhada. Sendo que “ligeiramente” é eufemismo. Quando a Francisca tinha meses fizemos uma road trip pelas Caraíbas. Depois, quando me separei viajei sozinha com ela por Portugal, então conheço um pouco dos dois cenários. Estava a planear ir com ela para Bali no próximo Inverno e estas férias na Madeira seriam uma espécie de teste. E posso dizer-vos que levei uma tareia. A caminho do aeroporto, ativou logo o meu sentido de alerta: “Mãe esquecemo-nos de uma coisa… (pausa/reticências dramáticas) tu trouxeste a minha escova de dentes por acaso?” Também, na passagem pelo controlo de bagagens, acusou o segurança de lhe querer ficar com a mochila dos legos, já que fez a mochila passar por aquela máquina estranha e depois “ela quase não saía”. O voo atrasou, o que deu direito a mais de 2 horas na sala de embarque. A Francisca não para. Salta, pula, conta a vida toda a toda a gente, mesmo que não percebam patavina, já que a maioria eram estrangeiros… “Mãe eu falo inglês?”. Não filha, não falas. “Mas não faz mal, eu falo na mesma. Eu digo para eles falarem português”.

Um casal do lado diz-me: “Is your daugher? I want to take the same as her. (Risos)  Já outros comentaram: “Your life should be very funny.” Às vezes… Respondo eu entre dentes. Entretanto, ela tira os sapatos e lá continua apresentando-se indiscriminadamente e não descansando enquanto não faz o serviço completo de RP: “Sou a Francisca, tenho 3 anos e a minha mãe não corta as unhas.” No comment.

No voo, a história repete-se e fez logo uma amiga. Coleciona amigos este meu animal social. Lá fomos procurar a amiga à traseira do avião mas já dormia com a mãe. Sorte igual não tenho eu, pensei… E de tanta excitação, quando na aterragem teve que se sentar, lá fez a birra descomunal que levou a que se engasgasse no próprio choro e pregasse um valente susto inclusive à tripulação. Mãe sofre. Depois acalmou e sossegou durante breves minutos. Chegámos já tarde, eram quase dez da noite,  e fomos rapidamente jantar um prego no bolo do caco. Durante o jantar: “mãe, eu sou louca, muito louca, vou já para a piscina.” Ela é realmente louca. Abençoada loucura que põe toda a gente feliz à sua volta. Claro que não houve piscina e aterrou no carro, a caminho do hotel. Ficámos no Four View Baía, que é absolutamente maravilhoso.

Eu nunca ligo muito aos hotéis ou ao alojamento, como gosto muito de viajar confesso que privilegio a quantidade à qualidade. Isto é, viajo muito em low budget, em modo mochileira. Mas para a Francisca o must have de cada local é a piscina, então desta vez fiz questão de escolher um alojamento que lhe proporcionasse o seu ex-libris: umas boas braçadas diárias. Mal acordámos e abrimos a cortina deparamo-nos com uma vista incrível sobre a Baía do Funchal e, claro,  com as piscinas exteriores que lhe havia prometido. Então ficou triste quando lhe disse que ainda íamos passear e só no final do dia iríamos dar o primeiro mergulho. No pequeno-almoço, conseguiu convencer-me a comer cereais de chocolate. Férias: esse desastre alimentar! Eu acredito que faz parte. Férias é também sair da rotina. Verdade seja dita que comeu mais fruta do que os tais cereais. Já eu aproveitei a oferta do hotel que abundava em escolhas para um pequeno-almoço saudável.

Com o tempo maravilhoso que São Pedro nos presenteou, subimos ao Pico do Areeiro. As flores amarelas, que pintalgavam a montanha davam vida a precipícios e escarpas a perder de vista. Mais pareciam campos de oiro, que se renovavam a cada curva da estrada acidentada. Fomos ainda à ponta de São Lourenço e a Porto da Cruz e provámos as famosas lapas. Eu adorei a iguaria, já a Francisca nem por isso, mas pelo menos provou e amo isso nela, essa curiosidade inata, sempre pronta a correr o risco. Ao final do dia, o tão esperado e aguardado momento: as piscinas do hotel. Fomos à exterior e quando fechou, ainda aproveitámos as interiores. Com piscina de bolinhas (jacuzzi) e tudo.

No dia seguinte destas férias na Madeira, arrancámos para o Cabo Girão e, seguidamente , fomos às piscinas naturais de Porto Moniz. Uma das memórias que tinha da minha ida à madeira há quase 20 anos atrás era de Porto Moniz, mas desta vez como outrora, o tempo não nos permeou com o sol necessário para molhar o dedão no cenário idílico de água bem gelada. A Francisca bem tentou mas o frio levou a melhor. Seguimos pelo Paul da Serra até à Calheta e finalmente voltámos ao hotel. Para jantar, a espetada em pau de loureiro e o milho frito não faltaram e agradaram, no restaurante Santo António, no Estreito de Câmara de Lobos. No terceiro dia, fomos ao Monte. Mal viu os famosos carrinhos ficou histérica. Perante o meu impasse, por achar que não teriam a segurança necessária para irmos, o histerismo em modo pré-birra foi aumentando exponencialmente. Lá acedi. Durante a viagem, acho que ela teve algum medo, embora pouco justificado porque a descida foi feita a meio gás. E no final não poupou os nossos condutores: “olha, não gostei nada, mesmo nadinha!”. Bom, lá diz o ditado: quem diz a verdade, não merece castigo… Daí seguimos para a nossa primeira levada: a levada dos balcões. São somente 2km e achei que seria viável e o ideal tendo em conta que tinha uma criança, bastante preguiçosa para andar. Vale bem a pena, o caminho é fácil de percorrer e termina numa varanda com uma vista espectacular. Daí seguimos para Santana, que eu já sabia que era um flop. Que me desculpem pelo review pouco favorável mas lembrava-me bem das típicas casas da Madeira se resumirem a 3 ou 4 casas construídas de propósito para inglês ver. Mas, não quis deixar de tirar a foto clichê porém emblemática, para mais tarde recordar.

Seguimos de regresso ao hotel e de tão cansadas saltámos a prova de iguarias da ilha e pedimos o jantar no room service. Bastante bom, por sinal. Jantámos na nossa varanda com super vista e aproveitamos o final de tarde para relaxar. No último dia destas férias na Madeira, desfrutámos do Funchal, das ruas do centro da cidade, das bananas da Madeira e da fruta maravilhosa no mercado dos lavradores, embora a preços proibitivos. Por fim, ela obrigou-me a andar no teleférico. Mais uma oferta turística que dispenso mas enfim…Em férias há que agradar a gregos, troianos e também um bocadinho à Xica. Adormeceu no teleférico, saí com ela e com as tralhas ao colo directa para um táxi, no entretanto perdeu uma sandália e pronto, nada de novo, só o caos do costume.

Antes ainda tirámos umas fotos com a super talentosa Mónica, que é fotógrafa de famílias na Madeira. Ela enviou-me uma mensagem pelo Instagram a oferecer a sessão mas confesso que com tanto para ver, deixámos para as últimas horas na ilha e eu estava exausta e a Francisca cheia de sono e birrenta. Por isso não tinha grandes expectativas em relação ao resultado mas quando vi fiquei apaixonada por cada clique. As fotos ficaram lindas por isso se estiverem de férias na Madeira já sabem… A caminho do aeroporto, enquanto víamos uns folhetos turísticos, estrategicamente colocados no banco traseiro do táxi e em jeito de retrospectiva a Francisca ia enumerando os lugares por onde passámos. “Mãe, até foi giro não foi?”. Foi filha, foi muito giro!!

Sobre as nossas férias na Madeira:

Quando ir – Na Primavera a montanha está florida, o tempo já está mais quentinho e sem as enchentes dos meses mais concorridos de Junho e Agosto.

Como chegar – Adoro viajar na TAP mas arranjamos um preço mais competitivo na Easyjet: 120€ ida e volta/por pessoa

Onde ficar – Recomendo vivamente o Hotel Four Views Baía que achei muito childfriendly embora a maioria dos hóspedes, como o turismo em geral na Madeira, seja mais sénior e sobretudo estrangeiros. As piscinas fizeram as delícias da Francisca, o quarto era grande, tinha uma vista fabulosa e uma varanda agradável para os nossos finais de tarde. Para além disso, quer o pequeno-almoço, quer o room service tinham várias opções saudáveis, frescas e saborosas. Tudo aprovadíssimo nestas férias na Madeira!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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