A primeira vez que fiz esta compota foi em São Tomé e Príncipe há uns sete anos. Estávamos a trabalhar para apresentar alguns dados de nutrição numa feira na cidade de São Tomé. Quando digo estávamos, falo de mim, que trabalhava na AMI – Assistência Médica Internacional e da minha grande amiga e colega de profissão Elisabete Catarino, que trabalhava na Helpo, outra ONG.

O tema do reaproveitamento de alimentos despertou a nossa atenção, principalmente quando em muitas comunidades estávamos a trabalhar com tão pouco. A ideia não era que toda a gente começasse a comer compota de casca de banana mas sim mostrar que por vezes os alimentos nos oferecem outras possibilidades. E, que o desperdício pode ser reaproveitado e consumido.

Esta compota de casca de banana, um ingrediente peculiar, sem dúvida, superou as nossas expectativas a nível de sabor. E assim, quando nunca como agora se falou tanto em sustentabilidade decidi partilhar convosco a receita. Ligeiramente alterada porque a minha memória para receitas é como pisar numa casca de banana: vai por ali fora e nunca mais a apanho. Lá , segundo a Elisabete usámos só  casca de banana, canela e açúcar. E ela não se lembra (e aqui ganho eu, eheheh) mas também juntámos uns pedaços de nozes picadas, que a mãe dela lhe tinha enviado aqui da Tugolândia.

Nesta versão, misturei cascas de banana com tâmaras e açúcar. Que isto da sustentabilidade tem muito que se lhe diga é que tanto as tâmaras como o açúcar são importados… Ah, pois é: não há almoços grátis. Distribuí o mal pelas aldeias e o pouco açúcar que coloquei ajuda a conservar a compota por mais uns dias, o que me parece mais sustentável do que usar somente as tâmaras e por dose a quantidade de açúcar é relativamente baixa (a não ser que comam o frasco todo)… 😉

 

Nota: Podem fazer umas bananas em papelote e com as cascas aproveitar e fazer esta compota. Quem é amiga? É ou não é uma ideia bem gostosa?

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