Ao longo destas últimas semanas, tenho lido várias publicações acerca de alimentos e suplementos alimentares que podem fortalecer o sistema imunitário e desse modo prevenir ou ajudar no tratamento da COVID-19.

Infelizmente, “na relação entre a COVID-19 e a alimentação ou suplementos alimentares, não existem soluções mágicas e quem o disser, no estado atual do conhecimento científico, pode não estar a guiar-se pela melhor evidência científica”.  No estado de emergência em que nos encontramos, promover ou partilhar este tipo de conteúdos é contribuir para a desinformação, com todos os riscos que isso representa.

Assim, até à data não temos conhecimento de nenhum alimento ou suplemento alimentar que possa prevenir ou tratar a infecção por COVID-19. Prova da não existência de evidência para esta relação, é o facto da Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos, até o momento, não ter identificado ou autorizado qualquer alegação de saúde a um alimento ou componente que seja considerado adequado para a prevenção de infeções. O distanciamento social e as boas práticas de higiene continuam a ser o melhor meio de evitar infecções por COVID-19, devendo ser seguidas as recomendações das autoridades de saúde.

Contudo, há poucos dias, o Diretor Geral da Organização Mundial de Saúde, Tedros Adhanom, partilhou 5 dicas para nos mantermos saudáveis nesta quarentena. Sendo a primeira dica, termos uma alimentação saudável e adequada, que ajudará o sistema imunitário a funcionar devidamente. Efetivamente, termos uma alimentação completa, equilibrada e variada não impede de ficarmos infectados pelo vírus mas pode melhorar o nosso estado de saúde e o nosso bem-estar geral. 

Sabemos que à semelhança de outras funções fisiológicas do organismo, para garantir o normal funcionamento do sistema imunitário, é necessário uma alimentação equilibrada com a presença de diferentes nutrientes, desde logo os fornecedores de energia (hidratos de carbono, proteínas e lípidos) e vitaminas e minerais (como as vitaminas A, B6, B9, B12, C e D e  o cobre, ferro, selênio, zinco) e água.

Face ao exposto, não é recomendado nenhum alimento em detrimento de outro, mas deve ser encorajada a ingestão de uma variedade de alimentos que siga as regras da Roda dos Alimentos, já que um bom sistema imunitário só é possível através da alimentação vista como um todo e não através do consumo de um alimento ou suplemento isolado.

Notem que este artigo é escrito à luz do conhecimento atual, o que não invalida que amanhã não possa ser efetuada uma nova descoberta.  Face ao que escrevi, existe na minha opinião uma exceção, apenas no que diz respeito à suplementação em vitamina D, que julgo merecer uma atenção especial e por essa razão, na próxima semana, publicarei um artigo próprio para o efeito.

Conclusão: independentemente da faixa etária, um estado nutricional e de hidratação adequados contribuem para o bom funcionamento do sistema imunitário e consequentemente para uma melhor recuperação dos indivíduos em situação de doença. Acredito que com o COVID-19 não será exceção.

Fontes:
British Dietetic Assocation
Direção-Geral da Saúde 
Blog científico: Pensar nutrição

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