Ultimamente tenho recebido muitas questões sobre como aprender a escolher os melhores cereais de pequeno-almoço para crianças.

Quando passamos pelo vasto corredor de supermercado, constatamos que existem várias opções. Mas entre tanta oferta por vezes torna-se ainda mais complicado saber distinguir o trigo do joio.

O que é certo é que nas manhãs mais agitadas, há muitas crianças e até adultos que não passam sem eles.

Mas será que existem produtos mais adequados e nutricionalmente interessantes? A boa notícia é que a resposta é afirmativa: SIM, importa apenas saber escolher.

O que devo ter em atenção quando avalio o rótulo de um cereal de pequeno-almoço?

  1. Comece pela lista de ingredientes. Se uma criança de 8 anos tiver dificuldade em lê-la, provavelmente não é um bom sinal. A lista de ingredientes deve ser pouco extensa e simples. Afinal trata-se de cereais e esse deve ser o principal ingrediente e não toda uma panóplia de aditivos pouco recomendados.
  2. Os ingredientes aparecem por ordem decrescente (os primeiros são os que estão em maior quantidade). Deste modo, se o açúcar surgir entre os primeiros ingredientes é um mau indicador. Olhando, para a tabela nutricional, idealmente devemos ter menos de 5 gramas de açúcar por 100g.
  3. Os cereais (trigo, centeio, cevada, aveia, arroz, milho, millet, quinoa…) deverão ser preferencialmente integrais.

Qual a evolução da composição dos cereais ao longo dos anos? As novas alternativas saudáveis serão assim tão fantásticas?

Conclusão: Nem tudo o que é biológico, só com “cereais integrais”, “natural”, “saudável” é realmente saudável! Vejam sempre a lista de ingredientes e a tabela nutricional.

Quanto açúcar é demasiado açúcar? E no que diz respeito ao sal? Como descodificar rótulos?

Basta olhar para o descodificador de rótulos da Direção-Geral da Saúde:

Exemplo:

A DGS propõe que se escolham alimentos e bebidas cuja composição recaia maioritariamente no semáforo verde. Os alimentos com nutrientes no semáforo amarelo devem ser consumidos com moderação e devemos evitar aqueles que tenham um alerta vermelho entre algum dos seus componentes.

Posto isto, como podemos constatar alguns dos cereais mais populares têm quase 25% de açúcar na sua composição. Uma enorme “red flag”!

Assim sendo, quais os melhores cereais de pequeno-almoço para bebés e crianças?

Deixo aqui algumas sugestões de cereais de pequeno-almoço que encontramos nos supermercados:

  1. Corn-flakes sem açúcar

São pedaços de milho crocantes transformados num género de flocos de milho simples e sem quaisquer aditivos. Alguns não têm mesmo nada adicionado, outros podem ter sal.

Efetivamente, no que respeita ao sal alguns podem conter um pouco mais do que seria desejado, exceção para os Corn Flakes da marca Provida, que me parecem excelentes.

  1. Cereais tufados

Cereais tufados, expandidos, puff ou pipoca, podem encontrá-los com qualquer um destes nomes, mas são exatamente a mesma coisa. São cereais, que são submetidos a temperatura e expandem, num processo idêntico aos das pipocas de milho, mas sem qualquer aditivo (açúcar, gordura, sal e afins).

Pode-se encontrar TODOS os tipos de cereais e sementes nesta forma: millet, arroz, trigo, cevada, aveia, quinoa, espelta e na sua grande maioria constituem boas opções:

  1. Outras opções:

Os cereais da Kellogg são 100% trigo integral e muito crocantes. Não têm açúcar adicionado e têm baixo teor de sal também. Há uma versão de chocolate mas que tem mais açúcar.

Os Weetabix, embora tenham açúcar adicionado é em muita pequena quantidade (4,4g em 100g) e por essa razão estão dentro dos limites propostos pela DGS para lhes ser atribuído luz verde no que diz respeito ao açúcar. Além disso, são enriquecidos com vitaminas e minerais essenciais com o ferro e possuem uma elevada quantidade de fibra (cerca de 10%), importante por exemplo em quadros de obstipação. O mesmo acontece com o All-Bran que tem ainda mais fibra (cerca de 17g por 100g). Contudo, o All-Bran possui um pouco mais de sal.

O Cheerios é nosso preferido cá em casa. É verdade que tem um pouco mais de açúcar e sal do que seria desejado, mas ainda assim a quantidade é reduzida. Por essa razão, no outro sistema de classificação de alimentos, o Nutri-Score recebe a classificação A. Como, é raro consumirmos cereais de pequeno-almoço, quando a Francisca pede acabo por lhe dar aqueles que ela mais gosta.

  1. Versões Caseirinhas

A Francisca adora a minha granola. Esta não tem qualquer açúcar adicionado e é absolutamente deliciosa. Ok, sou suspeita mas lá diz o ditado: provar para querer! Quem vai experimentar?

Querem que vos conte um segredo? Uma das versões mais barata de todos os cereais são os flocos de aveia. Já conhecem a nossa papa de aveia e banana? Para os mais gulosos temos a nossa papa de chocolate fingido, que é literalmente de chorar por mais, especialmente quando se trata dos pequenotes mais impacientes pela próxima colherada.

Breves considerações:

A idade para começar a oferecer cereais de pequeno-almoço é muito relativa. De um modo geral, são cereais e podem ser oferecidos a partir dos 6 meses. Importante é verificar se na composição só tem efetivamente o cereal e nada mais. Outra questão que deve ser tida em consideração é a forma. Certos cereais extrudados, quando consumidos por bebés pequenos podem aumentar o risco engasgamento.

Por último, sempre que possível varie o pequeno-almoço do seu mais-que-tudo! Pão, panquecas, iogurte, fruta, queijo, ovos mexidos são excelentes opções para manhãs mais agitadas!

Pequeno-almoço e cereais industrializados de pequeno-almoço são duas palavras que não precisam de estar sempre associadas (pelo menos de há umas décadas para cá), aos pequenos-almoços das crianças! Uma tacinha inocente, colorida ou com bonequinhos, de cereais de pequeno-almoço para uma criança, é capaz de juntar numa só refeição um, ou mais, tipos de açúcar, gordura e sal! A verdade é que as marcas vendem como saudável, algo que contém aditivos diversos, convencendo muitas mães de que estão oferecer aos seus filhos uma refeição saudável e equilibrada ao pequeno-almoço.

2 Comments

  • Joana diz:

    Olá Sandra!
    Gostaria de deixar a minha saudação face a este artigo. Muito esclarecedor e completo, informativo, e escrito de uma forma simples. Um dos melhores “guias” que já li sobre o assunto. Obrigada!
    Curioso como existem opções não muito saudáveis e que mesmo assim são classificadas com categoria verde no “nutri-score”. Veja-se o exemplo dos cereais Chocapic. Quer isto dizer que nem naquela etiqueta podemos confiar? Passarei a olhar muito mais atentamente para a lista de ingredientes e quantidades, mas com esta cábula no telemóvel 😄

  • Sandra Santos diz:

    Olá Joana,

    O “nutri-score” é um sistema simplificado de rotulagem nutricional e na minha opinião é melhor do que nada mas efetivamente apresenta várias falhas. Uma delas, a meu ver, é o facto do algoritmo não contabilizar aditivos, grau de processamento, pesticidas, antibióticos, alergénios, aromas, tamanho da porção e o método de preparação/confeção. Mas é um método recente, vamos ver a sua evolução. 🙂

    Beijinhos e bom ano!

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