No outro dia percebi que a resposta a esta questão não é tão óbvia quanto pensava. Muitos pais julgam que sopas e papas devem ser aguadas. Já outros, acham que a consistência depende da preferência e aceitação do bebé. Afinal qual será a consistência certa?
A adição de uma grande quantidade de líquidos às preparações dos bebés, embora facilite a deglutição, não é um bom princípio.
Tanto sopas, como papas acabam por ficar muito aguadas e consequentemente apresentam uma menor densidade energética. Quer isto dizer que, a concentração de nutrientes e energia (calorias) é menor, já que os ingredientes se encontram mais diluídos. Assim, para o bebé obter a mesma energia e riqueza nutricional, teríamos que lhe oferecer uma maior quantidade.
Contudo, o estômago do bebé é proporcional ao seu tamanho. Logo, nesta fase o volume do estômago é ainda muito pequeno. Dada a reduzida capacidade gástrica, a adequação da energia que necessitam pode ficar comprometida.1,2
Por isso, e respondendo à pergunta inicial, a consistência adequada será mais aproximada de um puré semi-sólido, do que de uma sopa líquida.3
Tal e qual como mostra a papinha de cenoura da foto, que representa uma excelente sugestão enquanto primeira papinha do bebé.
Não se esqueça ainda, que pode enriquecer e ajustar a consistência do puré ou papa com uma colher de chá de azeite (totalizar 5 a 7,5 ml) ou com leite materno ou leite do bebé, que para além de melhorar a consistência ainda facilita a aceitação.
Para além do exposto, é ainda importante ter em consideração, a importância da evolução da consistência da alimentação do bebé. Ou seja, amassar e triturar cada vez menos ao longo do tempo, obtendo uma textura menos homogénea, com alguns grânulos ou pedacinhos que estimulem a mastigação e preparem o bebé para a próxima etapa: as refeições em família!

  1. Rheological and Nutritional Characteristic of Weaning Mush Prepared from Mixed Flours of Taro [Colocasia esculenta (L) Schott], Pigeon Pea (Cajanus cajan) and Malted Maize (Zea mays)
  2. Effect of dietary energy density on total at libitum energy consumption by recovering malnourished children
  3. FAO – FEEDING YOUNG CHILDREN AGED OVER SIX MONTHS

3 Comments

  • Claudia diz:

    Olá Sandra!
    A minha dúvida prende-se com a amamentação vs alimentação complementar…
    Esta semana tivemos consulta na pediatra e o que nos foi dito foi que não lhe devo dar mama num espaço de duas horas devido à absorção do ferro… E eu já tinha lido num grupo de facebook (dá.me maminha) que isso acontece com o leite de vaca e não com o leite materno. Ao qual ela me responde que não… que se deve ao cálcio… será isto verdade?
    Durante a minha adolescência sofri muito de anemias, e não quero de forma alguma prejudicar o meu filho.
    Obrigada e beijinhos

  • Sandra Santos diz:

    Olá Cláudia! Infelizmente a minha resposta já não vai a tempo e peço mil desculpas por isso mas andei a pesquisar para poder dar-lhe a informação mais fiável possível e o tempo foi passando… Em todo o caso, em breve escreverei um artigo sobre o assunto com as devidas referências bibliográficas que contradizem a posição da pediatra do seu bebé. Beijinhos

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