A galinha põe o ovo e a Xiquinha papa-o todo!! Pois é, mas nem sempre foi assim … O ovo, para além de estar longe de ser dos primeiros alimentos a ser introduzido na alimentação do bebé, inicialmente nem sequer é oferecido na sua totalidade.
O ovo é um importante fornecedor de proteínas de alto valor biológico, isto é que possuem na sua composição aminoácidos essenciais, que o nosso organismo não consegue produzir; gordura de excelente qualidade e ferro, embora este esteja pouco biodisponível já que se encontra ligado à albumina e a fosfolipoproteínas, dificultando a sua absorção.1
Apesar de todas estas qualidades, pelo facto de ser uma alimento potencialmente alergénico, não existe consenso sobre qual a melhor altura para o introduzir na alimentação do bebé.
Contudo, a maior parte das diversas posições/recomendações de organizações científicas referem não haver evidência científica convincente de que o evitar ou retardar a introdução de alimentos potencialmente alérgicos, tais como o ovo, reduza a alergia, quer em lactentes considerados de risco, quer naqueles sem história familiar de patologia alérgica e que as vantagens nutricionais da sua introdução precoce se sobrepõem aos eventuais riscos.2, 3, 4
Assim, em Portugal convencionou-se que pode oferecer ao bebé a gema a partir do 9º mês, de uma forma progressiva e lenta:
– Meia gema (por refeição), por semana, durante 2 a 3 semanas.
– Seguidamente pode dar uma gema inteira (por refeição), por semana, durante 2 a 3 semanas.
– Por volta dos 10 meses e seguidos os pontos anteriores, o bebé já poderá consumir cerca de 2 a 3 gemas por semana mas nunca deverá exceder nem esta quantidade, nem uma gema por dia.
– Deve ter em atenção que a utilização de gema numa refeição obriga à ausência de oferta de carne ou peixe nessa refeição.
– A clara poderá ser introduzida a partir dos 11 meses, devendo ser protelada a sua introdução, caso haja história individual de atopia (esses devem ser avaliados e orientados individualmente).
– A gema deve ser bem cozida para evitar o risco de contaminação por Salmonella;
Com a Francisca confesso que segui estas orientações mas não de um modo tão sistemático ou criteriosa, contudo, os bebés com história pessoal ou familiar de alergia deverão ter um maior rigor ao seguir estas indicações.
Não deixa de ser curioso que tais recomendações sejam tão variáveis de país para país. Para terem uma ideia, o Comité de Nutrição da Sociedade Francesa de Pediatria, sugere que a diversificação alimentar não deva ser iniciada antes dos 6 meses, idade a partir da qual já se pode introduzir o ovo. Também a Sociedade Brasileira de Pediatria refere que o ovo (clara e gema) deve ser introduzido aos 6 meses, lembrando que frequentemente as mães oferecem às crianças alimentos que já possuem ovo na sua composição, por isso não seria necessário retardar a sua introdução.5
Refere ainda que a introdução tardia do ovo, aumenta o risco de alergia a esse alimento! Quando iniciado após os 9 meses esse risco aumenta em 1,5 vez! Quando iniciado após os 12 meses de vida, esse risco aumenta em 3 vezes!
Tais diferenças apenas servem para nos consciencializar sobre o facto de não existirem verdades absolutas ou inequívocas face a este ou outros assuntos relacionados com a alimentação do bebé e discutidos aqui no blog.
Quanto ao ovo, agora a Xica já o papa todo e adora, principalmente numa bela açorda, ou não fosse ela, pela parte do pai, uma alentejaninha de gema!

galinhas

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1. Alimentação e Nutrição do Lactente – Sociedade Portuguesa de Pediatria
2. Agostoni C, Decsi T, Fewtrell M, Goulet O, Kolacek S, Koletzko B, et al. ESPGHAN Committee on Nutrition. Complementary feeding: a commentary by the ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr 2008; 46: 99-110.
3. ESPGHAN Committee on Nutrition, Agostoni C, Decsi T, Fewtrell M, Goulet O, Kolacek S, Kolestzko B, et al. Complementary Feeding: a Commentary by the ESPGHAN Committee on Nutrition. J Pediatr Gastroenterol Nutr 2008; 46: 99-110.
4. Maloney JM, Sampson HA, Sicherer SH, Burks WA. Food allergy and the introduction of solid foods to infants: a consensus document. Ann Allergy Asthma Immunol 2006; 97: 559-60
5. Manual de Nutrologia e Alimentação
6. Kull I., Bergstrom A., Lilja G., Pershagen G., Wickman M. Fish consumption during the first year of life and development of allergic diseases during childhood. Allergy. 2006;61:1009–1015Kull et all, 2006
7. Koplin JJ, et all, 2010

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