Sabia que comer tâmaras pode facilitar o trabalho de parto?

As tâmaras são originadas da tamareira, uma espécie de palmeira e tem um sabor doce e marcante.

Por essa razão, na maior parte das vezes ela é comprada no supermercado na sua forma seca ou desidratada e usada para substituir o açúcar nas receitas, para a preparação de bolos e biscoitos, por exemplo.

Esta fruta é ainda uma fonte interessante de vitaminas do complexo B e alguns minerais, tais como potássio, cobre, ferro, magnésio e cálcio.

Além disso, estudos recentes parecem demonstrar que comer tâmaras pode trazer diversos benefícios no momento do parto, nomeadamente:

  • maior dilatação na chegada ao hospital;
  • menor necessidade do uso de oxitocina sintética;
  • menor tempo de fase latente (fase inicial da dilatação);
  • redução do lóquio (sangramento no pós-parto);
  • redução do tempo de duração do primeiro estágio do trabalho de parto;
  • redução da frequência de cesarianas.

Os mecanismos passíveis de explicar os eventuais efeitos positivos do consumo de tâmaras na gravidez e pós-parto, não estão completamente estudados, no entanto são formuladas diferentes hipóteses.

Uma delas, prende-se com o facto das tâmaras serem ricas em açúcar, fornecendo a energia necessária à mulher para evitar o cansaço associado ao trabalho de parto.

Por outro lado, a oxitocina e as prostaglandinas têm sido amplamente utilizadas para a maturação do colo do útero, estimulação das contrações uterinas, e indução e estimulação do parto.

Ora, acredita-se que a tâmara possua uma substância chamada oxitocina-like, que aumenta a força e a efetividade da contração, no final da gravidez quando o útero está a preparar-se para entrar em trabalho de parto.

Portanto, o consumo de tâmaras, nas últimas semanas de gravidez, pode causar indução e estimulação do parto, já que esta atua sobre os recetores de prostaglandina e melhora a resposta à oxitocina. Ainda, os ácidos gordos presentes neste fruto, para além da produção e reserva de energia, também desempenham um papel importante na produção de prostaglandinas.

Por outro lado, o consumo de água após a ingestão deste fruto durante o trabalho de parto é também eficaz no progresso do trabalho de parto.

Além disso, a tâmara tem propriedades anti-inflamatórias e antioxidantes e é rica em cálcio, serotonina, taninos e ácido linoleico que no seu conjunto e por diferentes vias podem desempenhar um papel positivo na contração da musculatura lisa do útero e aumentar a sensibilidade do útero à oxitocina, facilitando todo o processo do parto.

Importa, porém, realçar que a tendência crescente de estudos recentes sobre a tâmara fornece fundamentos científicos para as capacidades clínicas deste fruto embora, devido à baixa qualidade dos estudos é necessária maior evidência para comprovar estes benefícios.

Certo é que não há qualquer suspeita e muito menos evidência de malefícios associados ao seu consumo e, sendo assim, perante os dados que dispomos, o seu consumo deve ser incentivado.

Deste modo, recomendo que a tâmara seja consumida in natura a partir das 36 semanas, por pelo menos vinte dias antes do parto, porque os estudos foram feitos a partir desse tempo de gestação.

Faço apenas a ressalva que, as tâmaras secas são bastante calóricas por isso, é importante moderar o consumo e não exceder as 3 tâmaras por dia.

Fecho com a frase que uma enfermeira me disse poucos minutos antes da Francisca nascer: “Vamos lá fazer um parto bonito, assim como nos filmes!” E assim foi!

 

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