Esta era uma viagem muito desejada e planeada. Comecei a pesquisar sobre o que fazer e visitar na província de Yucatán, no primeiro confinamento. Planear viagens ajuda-me na minha sanidade mental, sobretudo em alturas em que não as posso fazer. Sonhar pelo menos não custa e depois é só perseguir os sonhos e concretizá-los numa altura mais favorável.

O plano era ir por duas semanas, mas nesta altura da Papinhas da Xica não é possível ficar fora tanto tempo. Pessoas com negócios próprios entenderão. Comecei por ver só viagens de avião. O objetivo era ir ficando em vários hotéis junto aos pontos que gostava de visitar, um pouco em modo backpacker, que é como gosto de viajar. Acontece que as viagens de avião estavam caríssimas e o pacote de avião e hotel, com tudo incluído, acabava por compensar mesmo que a minha intenção não fosse de todo ficar sempre no hotel e fazer todas as refeições por lá.

Na agência de viagens existiam várias possibilidades e acabei por escolher o mais em conta, como a Francisca referiu aos outros Portugueses que por lá encontrámos: “a minha mãe só escolheu este hotel por ser o mais barato!” e pronto, quem diz a verdade não merece castigo. Para quem não sabe, há uma grande discriminação relativamente às famílias monoparentais e uma criança que viaja somente com um adulto paga, na maioria das vezes, tanto como um adulto, como foi o caso. Com mais tempo, aconselho que procurem pacotes específicos para famílias monoparentais, onde a criança paga metade. Ficamos no hotel Riu Lupita, que era ok. Não ficava mesmo na praia, mas se este for um fator de indecisão, saibam que a maior parte dos hotéis tem carrinhas/transfers de 30 em 30 minutos entre a praia e o hotel. Para além disso, o hotel dispunha de um bar/restaurante com piscina na praia. Podiam passar lá o dia com todas as refeições e bebidas à discrição. Ficava em Playa del Carmen, muito turístico mas central, daí podem ir para todo o lado, seja na direção de Cancun ou Tulum.

Fomos num Domingo ao início da tarde e chegamos ao hotel já passava das 22h. Deste modo, na Segunda-feira optei por ficar só pela praia do hotel. A praia tem efetivamente muito sargaço, mas basta andarem uns metros e ultrapassam a zona critica que fica mais junto à areia. Com crianças pequenas é aborrecido porque não podem brincar livremente na água junto à areia. Na zona sem sargaço, o nível da água é baixo, mas para lá chegar o mar pode ter áreas com algum declive. Por essa razão tinha que ir sempre com a Francisca. O que não era um problema, já que o mar é fabulosamente quente e os mergulhos sabem sempre bem. Ainda pegamos num kayak, disponibilizado pelo hotel e fomos dar uma volta, inauguramos os gelados e margaritas e o dia voou.

Na Terça-feira, fomos até à zona dos ferries, em Playa del Carmen, rumo a Cozumel. Uma típica ilha das Caraíbas que fica apenas a 40 minutos de distância de barco. Por lá alugámos um carro para dar a volta à ilha. Atenção que os carros estão em muito más condições, conduzam devagar e façam vídeos do carro no momento do aluguer. Há também buggies mais divertidos, mas o senhor da rent a car, disse: “levem o carro que vai chover” e 5 minutos depois, o céu abre a torneira a todo o gás, o nível da água rapidamente passou de meio da porta do carro. Respira Sandra! Duas horas depois como por milagre parou de chover e fomos brindadas com um sol magnífico. Por isso, o lado da ilha sem sargaço passou-nos ao lado porque na tempestade devo ter falhado a estrada. Mas no outro lado da ilha, a água era igualmente cristalina, havendo algum sargaço, mas apenas na areia. Imaginem uma grande extensão de praias totalmente desertas. Um sonho!

Regressámos ao hotel já perto das 22h e aí percebi que o tudo incluído com crianças dá um jeitaço. Quanto às refeições, a Francisca abusou muiiiito!!! Pensem em hambúrguer, cachorro, pizza, gelados, panquecas, coca-cola… descambou. Mas férias são férias. Perguntam-me muito o que comer com crianças, já referi que fruta há em todo o lado, quer num hotel de 5 estrelas, quer num mercado tradicional. O hotel tinha muitos legumes cozidos também e podem perguntar de antemão se podem confecionar um puré de legumes, quando se trata de um bebé. Havia também carne grelhada, que podem pedir sem sal e oferecer ao bebé à mão. De resto os boiões são para as ocasiões e recomendo levarem, a par de uma papa/farinha de cereais instantânea.

No dia seguinte, depois da manhã na piscina, decidimos apanhar o “coletivo”, o mesmo que autocarro público, rumo a Akumal, que no idioma Maia significa “lugar das tartarugas”. Há quem fique chocado de termos andado em transportes públicos, mas achei bastante seguro, são umas minivans confortáveis e a distância eram 20 minutos desde Playa del Carmen. Logo, os 30 dólares de táxi não me pareciam justificáveis, como me alertaram os locais.

Em Akumal têm que pagar a entrada na praia, penso que são 6€ ou 7€. E para nadar com as tartarugas têm que ir com um guia, logo têm que voltar a pagar. Yeh, bienvenidos a México :).  Paguei uns 15€ e valeu muito a pena! Estava muito apreensiva porque não adoro snorkel mas até passei a gostar porque vimos imensas tartarugas de todo os tamanhos e feitios. A Francisca estava feliz, feliz. E dizem que há uma lagoa ou reserva natural mesmo incrível ao lado, mas já não tivemos tempo de ver. Foi sem dúvida um dos melhores momentos e nem estava programado.

Ao contrário, tinha planeado ir desde logo ao Xcaret, um parque temático ultra recomendado. Honestamente, achei overrated. Depois, do dia anterior a nadar com tartarugas, no seu habitat natural, achei muito confuso, lotado e caro. Mas não me vou alongar muito mais porque não vos quero influenciar.

Já chegamos a Sexta-feira, uma verdadeira lástima como o tempo passava tão rápido… Voltei a alugar carro, desta vez em Playa del Carmen, aluguei na Hertz, por 30 dólares + 10 dólares de seguro contra todos os riscos, para evitar surpresas. Achei bastante em conta e o carro era ótimo. É muito fácil ir de carro até Chichen Itzá porque basicamente são duas estradas principais. Ah, a autoestrada não compensa, especialmente se conduzirem devagar como eu, já que há outra estrada principal que liga Cancún – Playa del Carmen – Tulum e outra que faz Tulum – Valladolid, sem portagens.

Chichen Itzá vale muito a pena e a sua imponência vale-lhe merecidamente o título de uma das 7 maravilhas do Mundo. Aquilo é um parque arqueológico e não tem só a pirâmide, por isso recomendo que reservem algum tempo, ao contrário de nós já que a Francisca não estava muito armada em Indiana Jones e às tantas só disse: “pronto mãe, está visto? Siga!”.

Queria ir a um cenote, um rio subterrâneo, recomendado por um local o Cenote Xaci, que fica mesmo em Valladolid, a cidade perto de Chichen Itzá mas disseram-me que estava fechado e na dúvida optamos por outros dois, também recomendados por locais: Samulá y X’kekén e, que ficam mesmo ao lado um do outro, distam uns 3 minutos a pé.

Os cenotes foi o top 1 da Francisca quando lhe perguntei o que gostou mais. Do ponto de vista de beleza natural é mesmo incrível e aquela água mais fresquinha e translúcida é um bálsamo para alma nos dias quentes que apanhámos. Foi maravilhoso e ficámos até fecharem, já perto das 18h mas atenção que muitos fecham bem mais cedo, por volta das 16h.

 

 

Seguimos para Valladolid que achei uma cidade pequena, muito charmosa e pitoresca. Se pudesse teria passado lá a noite e no dia seguinte teria tentado visitar o tal cenote Xaci e o Suytun. Este é o mais instagramável e deve estar à pinha, mas é uma questão de espreitarem. Qualquer que escolham julgo que não vão ficar desiludidos. São mesmo bonito. Voltamos ao hotel e os dias seguintes não têm história já que Sábado foi a repetição de Segunda-feira, só no relax de praia e piscina do hotel e no Domingo por volta das 17h estávamos já a caminho do aeroporto.

Em tempos cheguei a passar 3 semanas em viagem pelo Vietname e fiquei com a ideia que em Yucatán essas 3 semanas iam ficar igualmente muito preenchidas do tanto que há para ver.

Acabamos por não ir a Tulum. Mérida. Coba. Rio Lagartos. Holbox. Isla Mujeres. Fora Valladolid que foi em passagem e as outras dezenas de cenotes e parques naturais. Fica para a próxima: Hasta la vista México!

Dica: Levem dinheiro e façam o câmbio lá ou instalem a aplicação Revolut para pagarem menos taxas.

 

Deixe um comentário