“Sandra, posso dar gelatina ao meu filho? E estas bolachinhas? Estas não têm açúcar… E Ice Tea?” A minha resposta é: “Já espreitou o rótulo e viu se contém aditivos?” Mas afinal, quais os perigos dos aditivos alimentares para as crianças?

Em primeiro lugar, o que são aditivos alimentares? São substâncias químicas tais como corantes, conservantes, antioxidantes, aromatizantes, realçadores de sabor, adoçantes, entre outros, na sua grande maioria não utilizadas em casa, que são adicionadas aos alimentos ultraprocessados para dar ou realçar a cor ou o sabor dos alimentos, conservar e aumentar o tempo de duração do produto. Na UE todos os aditivos alimentares são identificados por um número seguido de um E. (exemplo E 621, E 102, etc..)

Embora cada aditivo utilizado em produtos alimentares tenha que passar por testes e ser aprovado por autoridades de segurança alimentar, os seus efeitos a longo prazo sobre a saúde e o efeito cumulativo da exposição a vários aditivos nem sempre são bem conhecidos. Os riscos à saúde são maiores quando o consumo ultrapassa a recomendação máxima permitida, que é determinada de acordo com o peso da pessoa.

Como o peso da criança é muito menor que o de jovens e adultos, mesmo consumindo quantidades não muito grandes dos produtos, ela tem maior probabilidade de ultrapassar a quantidade máxima de aditivos.

Para além disso, a imaturidade dos órgãos envolvidos na absorção dos nutrientes, metabolismo e excreção pode significar que a distribuição de um aditivo no organismo pode ser diferente numa criança (ou bebé) e num adulto. Note-se também que os órgãos e tecidos em desenvolvimento podem apresentar maior sensibilidade aos efeitos de um aditivo que órgãos e tecidos que já atingiram a maturidade. Por estas razões, o Comité para a Alimentação Humana da União Europeia (CCAH) considera ser prudente limitar ao mínimo necessário o número e quantidade de aditivos usados nos alimentos para bebés e crianças.

Exemplos de alguns aditivos que aparecem frequentemente nos rótulos dos alimentos ultraprocessados:

Corantes artificiais: E102 Amarelo de Tartarazina, E120 Cochonilha, Carminas, E 160b Anato, Bixina, Norbixina, E124 corante caramelo IV
Conservantes: E202 Sorbato de potássio, E211 Benzoato de sódio, E 220 Dióxido de enxofre, E250 Nitrito de sódio, E251 Nitrato de sódio, E 223 Metabisulfito de sódio

Fermentos químicos: E500 bicarbonato de sódio, E503 bicarbonato de amónio realçadores de sabor: E621 glutamato monossódico

Estabilizante: E415 goma xantana, E322 lecitina de soja.

Aromatizantes: aromas artificiais.

Adoçantes: E 950 Acessulfame K, E 951 Aspartame, E 952 Ácido ciclâmico

Outros aditivos: E297 Ácido fumárico

Quais os alimentos onde mais frequentemente poderá encontrar os vários aditivos supracitados?

Batatas-fritas

  • E621 Glutamato monossódico
  • E635 5′-ribonucleótidos dissódicos
  • E330 Ácido cítrico
  • E296 Ácido málico
  • E160c Extracto de pimentão
  • E951 Aspartame

Pizza

  • E 451i Trifosfato pentassódico
  • E 407 Carragenina
  • E 301 Ascorbato de sódio
  • E 621 Glutamato monossódico
  • E 250 Nitrito de sódio
  • E 415 Goma xantana

Refrigerantes

  • E 300 Ácido ascórbico
  • E 330 Ácido cítrico
  • E 331 Citrato de sódio
  • E 960 Glicosídeos de esteviol

Gelatina

  • E 965 Maltitol
  • E 951 Aspartame
  • E 950 Acessulfame K
  • E297 Ácido fumárico
  • E 331 Citrato trissódico
  • E 330 Ácido cítrico
  • E-163 Antocianinas
  • E 160a) Caroteno

Iogurtes

  • E 120 Carminas

Bolachas

  • E 500 e E503 Bicarbonatos de sódio e amónio
  • E 322 Lecitina de SOJA
  • E 223 Metabisulfito de sódio

Produtos de charcutaria

  • E325 Lactato de sódio
  • E 450 E 451 E 453 difosfatos, trifosfatos, polifosfatos,
  • E 407a algas Eucheuma transformadas
  • E415 Goma xantana
  • E250 Nitrito de sódio
  • E316 Eritorbato de sódio
  • E508 Cloreto de potássio

Como podem ver os aditivos alimentares estão distribuídos por quase todos os grupos de alimentos ultraprocessados.

Como podem ver, com o objetivo de reduzir o açúcar temos adoçantes em 3 dos exemplos supracitados: gelatina, Ice Tea e até batatas-fritas. Mas ele os adoçantes aparecem também em sumos, refrescos em pó, bolos, biscoitos, bolachas, gelados, iogurtes, entre outros, apresentados nos rótulos como edulcorantes (aspartame, ciclamato de sódio, acesulfame de potássio, sacarina sódica, stévia, glicosídeos de esteviol, manitol, sorbitol, xilitol e sucralose).

Quais são os efeitos dos adoçantes na saúde das crianças?

Os efeitos dos adoçantes na saúde das crianças não são plenamente conhecidos. Estudos recentes sugerem que os adoçantes e edulcorantes artificiais são uma faca de dois gumes, pois embora tenham sido desenvolvidos como um substituto do açúcar para ajudar a reduzir a resistência à insulina e à obesidade, dados tanto em modelos animais como humanos sugerem que estes podem contribuir para a síndrome metabólica e para a epidemia de obesidade, através de dois mecanismos distintos:

  1. Habituar a criança ao sabor muito doce nos primeiros anos de vida estimula o consumo excessivo de alimentos e bebidas com açúcar e adoçantes, o que pode se tornar um hábito para a vida toda.
  2. Os edulcorantes artificiais parecem alterar o microbioma hospedeiro, isto é, os microorganismos que temos no nosso intestino e que funcionam como um segundo cérebro. Tal, pode levar à diminuição da saciedade, e alterar a homeostase da glicose, e estão assim associados ao aumento do consumo calórico e do ganho de peso.

Tem sido ainda sugerido, ao longo dos anos, que determinados aditivos alimentares causariam efeitos comportamentais em crianças, resultando em transtorno do défice de atenção, hiperatividade e outros problemas associados. Diversos estudos apontam reações adversas aos aditivos, quer seja aguda ou crónica, tais como reações tóxicas no metabolismo passíveis de desencadear alergias, asma, alterações no comportamento e carcinogenicidade, esta última observada a longo prazo. Estas associações têm sido alvo de diversos estudos.

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Referências

EUFIC – Food additives. Reference paper of the European Food Information Council (EUFIC). Eufic Review. 2008.
SUGIMURA T, Wakabayashi K. – Carcinogenios nos alimentos. In: Shills ME, Olson JA, Moshi S, Ros- si C, organizadores. Tratado de nutrição moderna na saúde e na doença. v. II. 9a Ed. Barueri: Editora Manole. 2003) 1343–5.
POLÔNIO, Maria Lúcia Teixeira; PERES, Frederico – Consumo de aditivos alimentares e efeitos à saúde: desafios para a saúde pública brasileira. Cadernos de Saúde Pública. . ISSN 0102-311X. 25:8 (2009) 1653–1666. doi: 10.1590/S0102- 311X2009000800002
TABAR AI, ACERO S, ARREGUI C, URDÁNOZ M, Quirce S. – Asma y alergia por el colorante carmín. Anales del Sistema Sanitario de Navarra. 26 Suppl 2:2003).
MANCINI, F. R. et al. – Dietary exposure to benzoates (E210–E213), parabens (E214– E219), nitrites (E249–E250), nitrates (E251–E252), BHA (E320), BHT (E321) and aspartame (E951) in children less than 3 years old in France. Food Additives & Contaminants: Part A. . ISSN 1944-0049. February (2015) 1–14. doi: 10.1080/19440049.2015.1007535.

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